( Resenha ) O Livro dos Negros de Lawrence Hill @primaveraeditor



Primavera Editorial

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Resenha


Baseado em fatos e documentos históricos O livro dos negros de Lawrence Hill, é uma obra fictícia de temática e abordagem muito realista e enriquecedora. O autor foi muito feliz ao criar uma trama tão envolvente para apresentar e promover reflexões sobre o comércio de escravos e a abolição da escravatura.

A protagonista Aminata Diallo é a narradora da sua própria história. Da infância tranquila na aldeia à velhice no Reino Unido, em 1802, ao lado de um grupo de abolicionista. É chegada a hora de mudar o rumo da história de inúmeros africanos que sofreram com o desrespeito da escravidão...

“Como falei, sou Aminata Diallo, filha de Mamadu Diallo e Sira Kulibali...Creio que nasci em 1745, ou por aí. E estou escrevendo este relato. Todo ele. Caso eu morra antes de terminar a tarefa, instruí John Clarkson, um dos abolicionistas mais pacatos, mas o único em que confio, para não mudar nada. ...Alguns dizem que tive uma beleza pouco comum, mas eu não desejaria beleza para nenhuma mulher que não tivesse sua liberdade, e que não escolhesse os braços que a abraçam.” 

Aminata demonstrava ser dona de uma inteligência perspicaz ainda criança. Com a mãe aprendeu a amparar os bebês que chegavam ao mundo, com o pai conheceu e estudou o alcorão e tornou-se mulçumana. Mas os dias de paz na aldeia desaparecem com a chegada dos traficantes de escravos. A perda da sua família e de sua terra e a terrível viagem em um navio negreiro exigem que a pequena Aminata amadureça para sobreviver.

“ Os homens gritavam nas mais diversas línguas . Gritavam preces árabes, gritavam em fulfulde, em bamanankan e em outras línguas que eu nunca escutara. Todos pediam as mesmas coisa; água, comida, ar, luz. Um deles clamava estar acorrentado a um morto. Sob a luz bruxuleante, pude vê-lo tocar o corpo inerte preso a ele, pé com pé...”

Quando o navio atraca na Carolina do Sul Aminata é levada para a plantação de índigo de Robinson Appleby. É lá que recebe o nome americano Meena Dee, redescobre com Geórgia uma relação próxima de mãe e filha, reencontra Chekura que a acompanhou no navio negreiro e com ele vive o amor... Talentosa, aprende a forma de falar dos brancos, aprende a ler e escrever, descobre e aplica as ciências medicinais.

Sua história transforma-se quando é vendida para a família de Solomon Lindo, que reconhecendo suas habilidades, a ensina cálculos e grafia. Cada vez mais independente passa a trabalhar para pagar pelo abrigo e alimento que recebe, mas continua sendo propriedade dos Lindo. Quando anda pela cidade e acompanha a chegada de novos navios negreiros o sentimento de repulsa aflora.

“ Perto da plataforma, havia um grupo de africanos: alguns mal conseguiam ficar em pé, enquanto outros tinham pus saindo das feridas nas pernas. Parecia que para eles o beijo da morte seria muito bem-vindo. Senti um nó na garganta, e olhei para o chão, evitando cruzar meu olhar com o deles. Eu estava alimentada, e eles não. Tinha roupas, e eles, não. Não podia fazer nada para mudar sua perspectiva. Ou a minha. Isso, decidi, era o que significava ser escravo: você é invisível no presente, e não pode ter pretensão em relação ao futuro. Minha situação não era melhor que a deles...”

Continuamos acompanhando toda sua trajetória: as mudanças, a fuga, os novos amigos, a continuidade do seu amor por Checkura mesmo com a distância, as conquistas pessoais e por muitas vezes as suas dores, perdas e sofrimentos.

Os tempos difíceis surgem. A guerra e os confrontos entre americanos e ingleses transformam a realidade de Meena que torna-se peça fundamental da história ao ser convocada para preencher O Livro dos Negros. Neste documento registravam-se os nomes dos escravos que possuíam o certificado de que haviam servido aos britânicos e, por conseguinte tornariam-se livres.

“ Meu trabalho era entrevistar os negros e repetir as respostas aos oficiais. Vi pessoas vindas de lugares que nunca ouvira antes. Alguns, eu não conseguia entender, mas fui capaz de coletar informações da maioria, e pude explicar-lhes o que estava escrito nas passagens que recebiam. A sala era lotada e quente, e os dias, longos. Mas, embora estivesse ansiosa para voltar aos braços de Chekura, eu adorava minha nova ocupação. Sentia que dava algo especial para os negros que buscavam refúgio na Nova Escócia, e que eles me davam algo especial. Diziam-me que eu não estava sozinha.” 

Nem tudo acontece como desejado para quem viveu a sombra da escravidão por toda a vida, mas de maneira poetica, nos despedimos dessa mulher com grande poder de superação e senso de justiça, que cruzou o oceano,  viu e viveu tanto...

“ Eu gostaria de desenhar um mapa dos lugares onde vivi... Não haveria elefantes no lugar das cidades, mas sim guinéus feitos com o ouro das minas da África, uma mulher equilibrando frutas na cabeça, outra com saquinhos azuis de remédios, uma criança lendo e as colinas verdes de Serra Leoa, terra de minhas chegadas e partidas.”

Lawrence Hill é um autor fascinante. O livro dos negros é espetacular. Recomendo que não perca tempo. Leia, aprenda e emocione-se.


Confira o trailer da Série inspirada no livro de Lawrence Hill, 
ainda sem previsão de estréia no Brasil




Confira o 1º capítulo


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