( Resenha ) Garota Imperfeita de Simmone Howell @VREditoras

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Resenha



“Nós, a família Martin, éramos como super-heróis ao contrário: nossos defeitos nos definiam. Meu pai era viciado em cerveja e gravações raras. Gully tinha “dificuldades sociais”, que ficavam evidentes pelo fato de ele usar uma máscara de focinho de porco vinte e quatro horas por dia. Por fora, eu parecia estar bem, mas por dentro havia um bizarro caldo hormonal cozinhando em fogo brando. Meus defeitos não eram do tipo que se podia perceber só de olhar.”

Skylark, mais conhecida como Sky, mora em um apartamento em cima da Blessington Street, em Saint Kilda, no subúrbio de Melbourne, Flórida. É a garota imperfeita que está na fase mais complicada da adolescência, o amadurecimento, precisando se descobrir e encontrar. Introvertida, tem poucos amigos, curte o estilo andrógeno que é vestir-se masculinamente, tudo o que mais quer é ser notada pelas outras pessoas como parte da sociedade.

“Quando eu tinha dez anos e Gully, seis, minha mãe nos deixou para “seguir sua arte”. Ela trocou seu nome para Galaxy e se mudou para o Japão, onde vivia graças aos subsídios, investimentos e à bondade do “povinho esnobe da arte” (nas palavras do meu pai). Mantinha contato esporádico com a gente. Normalmente eu a seguia pela sua página na internet. Em seu último show, ela havia usado chifres e coberto o corpo com pasta de umeboshi, enquanto raios crepitavam em um fundo preto atrás dela. Não sei como uma pessoa chega a esse ponto.” 

A loja de discos de vinil de seu pai Bill se chamava “Wishing Well” – “Poço dos desejos” título da música dos Millionaires, rara e estranha. Um lugar que servia para Sky sempre como a melhor distração. 

“O terraço era o meu lugar favorito. Não era um terraço com jardim nem nada grandioso. Estava mais para um poleiro de astrônomos e suicidas. Ali tínhamos tudo de que precisávamos: luzinhas de Natal, almofadas e um antigo binóculo de ópera para observar os outros. Tínhamos a vitrola portátil e os discos que minha mãe tinha deixado para trás: baladas fofas e psicóticas por caras de queixos com covinha e pop nacional cantado por mulheres de pijamas estilosos.”

Quando seu pai contrata um novato para trabalhar na loja, ela fica se mordendo de curiosidade para saber quem era o rapaz, mas não pergunta. Nem mesmo menciona algo a respeito com sua amiga maluca Nancy, com quem conseguia desabafar sem ser criticada, pois ela havia sumido como fazia de tempos em tempos. 

“Ele era o caroço no suco de laranja e o pedacinho queimado do pão no café da manhã. Ele era o sanduiche esmagado no fundo da minha bolsa e as manchas de ranho seco no assento do bonde.” 

Entretanto, por mais que ela tentasse desviar a atenção seus pensamentos seguiam direto para ele, Luke o garoto misterioso que ela acabou admitindo ser gatinho e que passava a maior parte do tempo admirando de longe. 

“Fique contemplando as maçãs do seu rosto, a forma macia da sua boca, e de repente era como se eu estivesse parada em frente a ele, esperando ser reconhecida.”

O livro pertence ao gênero ficção – literatura juvenil, é um YA contemporâneo, narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista da Sky. Apesar da escrita às vezes se tornar um pouco confusa por se tratar dos conflitos internos da personagem, isso pode ser relevado, pois traz mais autenticidade a história, como se o leitor entrasse na cabeça dela e trocasse de lugar. Aos poucos o leitor vai conhecendo mais sobre a personagens, seus erros e acertos e o que aprendeu com tudo isso, trazendo várias lições.

Todos os personagens são muito bem desenvolvidos, tem personalidade própria e ações marcantes, possuindo grande influência sobre a Sky. A autora consegue tratar de assuntos delicados sem chocar e sem cair na monotonia. Foi uma leitura rápida e interessante, apesar das 317 páginas. 

O que me chamou muita a atenção foi que cada acontecimento tem sua própria melodia e isso traz mais ritmo a leitura.

A capa é muito bonita e criativa, com uma ilustração que remete a loja de Vinis, cenário principal. A diagramação é simples, mas agradável. Divide-se em quatro partes. Sobre vida, morte, luto e romance. 

Posso afirmar que é realmente um livro que todos deveriam ler, para entender melhor as mudanças que passamos em nossas vidas e que precisamos aprender com elas, mesmo que seja da forma mais difícil. Através de perdas e rompimentos de relacionamentos que infelizmente são mais frágeis do que imaginamos.  



Play List de Garota Imperfeita 

“Wishing Well” – Millionaires

“Urge For Going” – Tom Rush 

“Spooky” – Dusty Springfield

“She’s Leaving Home” – Sgt. Pepper’s

“Orange Skies” – Love

“The Six Wives Of Henry The Eighth” – Rick Wakeman

“Norwegian Wood” – John Lennon 

“Neon Lights” – Kraftwerk 

“My Life Was Like A River. All Sucked Into The Ground” – Nick Cave

“Gloria” – Them

“I Am The Passenger” – Iggy Pop

“Electric Ladyland” – Jimi Hendrix

“Ruby Tuesday” – Rolling Stones

“Secret Agent Man” – Johnny River

“Rumours” – Fleetwood Mac

“Where The Boys Are” – Connie Francis 

“Easter” – Patti Smith

“God Rest Ye Merry Gentlemen” – Tijuana Brass

“Some Velvet Morning When I’m Straight” – Lee Hazlewood



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