4 Estrelas,

( Resenha ) Vermelho como o Sangue - Volume 1 da Trilogia Branca de Neve de Salla Simukka @EditoraNovoConceito

07 fevereiro Ingrid 6 Comments

Editora Novo Conceito

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Resenha







“Era uma vez, no ápice do inverno, enquanto flocos de neve caíam como penas do céu, uma rainha que costurava junto à janela, cujo caixilho fora feito com a escura madeira de ébano.
Enquanto ela costurava, contemplando a neve, a agulha picou seu dedo, fazendo despontar três gotas de sangue, que caíram sobre a neve. Ao ver a beleza do vermelho sobre o branco, ela pensou consigo mesma: “Quisera eu ter uma criança branca como a neve, vermelha como o sangue e negra como a madeira do caixilho desta janela.”



Lumikki Andersson tinha dezessete anos de idade e era uma sueco-finlandesa de Riihimäki, no sul da Finlândia, que morava sozinha em um apartamento havia mais ou menos um ano e meio. Ela não estava determinada a fazer daquele lugar o seu lar, porque assim que terminasse o colégio, estaria livre para ir aonde quisesse sem ter que sentir a falta de ninguém nem de nada. A reação dos pais ao fato de ela ter saído de casa foi cheia de contradições. 


“Seus pais a haviam deixado presa a um nome que não tinha ligação com a realidade. Seu cabelo não era preto, sua pele não brilhava como neve fresca recém-caída e seus lábios não eram impressionantemente vermelhos. É sério, quem dá o nome à filha por causa da Branca de Neve? Não era tão ruim em finlandês; Lumikki era um nome de verdade, ainda que fosse também a personagem da história dos irmãos Grimm...”

Frequentar a conceituada escola de Arte em que Lumikki estudava, era um privilégio, sobretudo, porque não precisava mais estar em Riihimäki, onde os pais moravam. Todavia, depois que se acostumou ao novo lugar, Lumikki percebeu quanta inveja, afetação, fingimento, autopromoção e insegurança se escondiam por trás de todos os sorrisos felizes. Diante disso, ela se mantinha à margem, do lado de fora, mas não era uma esquisitona solitária. 

“Ela era a peça do quebra-cabeça que não tinha seu próprio lugar, mas poderia de repente preencher quase qualquer buraco que fosse necessário.”

A câmara escura era um refúgio para onde Lumikki se retirava por alguns segundos antes de retornar para as agitações daquela escola. Entretanto, em um dia específico, ela simplesmente não conseguia se concentrar, pois a câmara estava com um cheiro estranho e incomum. Observando atentamente, encontrou dezenas de notas de quinhentos euros penduradas na câmara escura para secar, se não eram verdadeiras, pelo menos pareciam falsificações perfeitas. Logo, Lumikki descobriu do que se tratava aquele cheiro, era sangue antigo e seco.

“Infelizmente, ela sabia que não era uma opção. As notas já estavam fixadas na sua cabeça com a mesma firmeza que o cheiro impregnado nelas. Ela sabia que eles não a deixariam em paz até ela fazer algo para esclarecer o mistério.”

O lema de Lumikki sempre foi se intrometer o mínimo possível, porque intromissões geravam confusões. Naquele momento ela só queria esquecer as notas de dinheiro lavadas do sangue, contudo, Lumikki não conseguia simplesmente deixar para lá. Portanto, ela decidiu que faria algo a respeito, arriscando-se e fazendo com que tudo fosse diferente. 

“O cheiro continuava o mesmo. O dinheiro havia desaparecido.”

Um romance criminal da literatura finlandesa, instigante e inusitado. Narrado em terceira pessoa, descreve vários acontecimentos de acordo com dias e datas específicos. Confesso que eu esperava um pouco mais desse livro, porém, foi uma boa leitura.

A escrita da autora é inteligente, direta e ritmada. Os personagens são introspectivos. 

A capa é linda, sombria e intensa, com cores marcantes e um jogo de luz. A diagramação possui aspectos contidos na capa, com foco no sangue. A revisão é ótima. 

Dou quatro estrelas e recomendo para quem gosta do gênero!!!


6 comentários:

  1. Parabéns pela resenha! Tive muitas oportunidades de comprar esse livro, e passei todas. Li tantas opiniões negativas que acabou desanimando, sabe?
    Mas seus comentários acenderam uma pequena luz no fim do túnel. Quem sabe, né? haha

    Abraço!
    http://lupiliteratus.blogspot.com.br/

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  2. Ingrid!
    Tive oportunidade de ler esse livro e até gostei, mas achei que teve muita coisa que extrapolou um pouco em relação a como a protagonista conseguia se 'safar' de algumas situações que surgiam.
    Mas foi uma boa leitura sim.
    “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.” (Guimarães Rosa)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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  3. Olha não é do tipo que costumo ler, eu amo romances, mas gostei da resenha, livros com tema de suspense te prende, muito boa a resenha, deixa a gente com vontade de ler..

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  4. Imagina algo mais dramático pelo título e não um suspense, mas foi uma grata surpresa. A origem da personagem é bem diferente, o que acho que só soma a série

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  5. Lumikki uma branca de neve que vive em um apartamento, adoro essa versões mais reais de historias infantis. Ja li um adaptação que na verdade sera de terror, eu adorei. Bem... diferente desse que mais romance policial, e pra falar a verdade eu nunca li esse gênero, fiquei curiosa em saber mais sobre esse livros já que seria novidade pra mim

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  6. Oi, Ingrid!
    Gosto de romance criminal mas confesso que não me interessei por Vermelho como o Sangue, não fiquei curiosa em relação ao mistério que a protagonista Lumikki decidiu investigar... por isso, dificilmente eu leria esse livro.
    Abraços.

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