( Resenha ) O Bazar dos Sonhos Ruins de Stephen King @Suma_BR

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Resenha


Acredito que não é segredo para ninguém que sou fã de Stephen King. Comecei a investir em suas obras físicas há pouco tempo, e mesmo que ainda não tenha lido um grande acervo de seus livros, me considero uma leitora fiel; iniciante, porém fiel.
Por que gosto tanto de Stephen King? Bem, ainda não sei responder clara e objetivamente. Amo porque sempre me surpreendo com seus enredos; porque ele é versátil; pelo fato de que alguns livros, mesmo sendo terror, trazerem algo de reflexivo para a vida e por acreditar que ele escreve ficção como ninguém. Não posso deixar de dizer, ainda que amo por achar que a fantasia escrita por ele é deliciosa de ser lida.
"Só pela ficção podemos pensar no impensável..."
O Bazar dos Sonhos Ruins” é um livro de contos do autor. Alguns deles já foram publicados no Brasil, outros são inéditos. 

Reunindo 20 contos, com uma edição maravilhosa, o livro é um verdadeiro presente para nós, leitores fiéis. Isso porque, na introdução de cada conto, temos comentários do próprio autor; nos revelando curiosidades sobre a história que virá a ser lida e de quebra, ainda nos fala um pouco sobre si mesmo e algumas passagens de sua vida.

Já li inúmeros livros de contos, mas nunca um de Stephen King. Eu sabia que teria um diferencial, afinal estamos falando de um ícone aqui, mas não imaginei algo tão incrível. 

Não quero fazer comparações, longe disso, mas conheço várias pessoas que não gostam de ler contos por se tratar de algo curto, que por vezes deixam pontas soltas e/ou não matam aquela vontade que temos de ler e nos envolver por completo em poucas linhas. Se identificou? Pois bem, eu posso dizer com toda segurança do mundo, que Stephen King se mostrou mais incrível ainda pra mim, afinal mesmo se tratando de contos, consegui me envolver em cada um deles. Cada um conseguiu me saciar. Sem pontas soltas, sem aquele desejo de mais linhas, de continuação. Resumindo: é um livro de contos que tem o poder de satisfazer o leitor; pois apesar de curtas, as histórias são intensas e muito bem elaboradas.
“Há algo especial nas experiências mais curtas e mais intensas. Podem ser revigorantes, às vezes até chocantes, como uma valsa com um estranho que você nunca mais vai encontrar; ou um beijo no escuro, ou uma bela raridade à venda sobre um lençol barato num bazar.”
Temos contos de vários tipos, personagens diversos; enredos que trazem morte, fim do mundo, loucura, obsessão, sobrenatural, amor... São sonhos ruins para quem os vive, mas para o leitor fiel, são sonhos criativos e surpreendentes.

Quando comecei a leitura, sabia que não iria encontrar enredos simples. Me preparei para ler dois a três contos por dia, mas não imaginei que ficaria tão envolvida. 

Livros do Stephen com edição da Suma são apreciados por mim desde a capa. Sou muito sonhadora, e talvez por isso tive aquele sentimento, ao ler a nota do autor, que o livro foi escrito pra mim. 

E foi assim que li “O Bazar dos Sonhos Ruins”. Com a certeza de ser uma leitora única. Talvez isso pareça bobo para você que está lendo minha resenha, mas quem ama mesmo ler e é fã de um autor, esse fato de se sentir exclusivo, torna tudo mais prazeroso.

Então, a cada noite, ao sentar na minha cama para ler alguns contos, era como se Stephen estivesse sentado ali, me contando histórias para não dormir, e em cada introdução ele me revelasse exclusivamente como pensou em tudo.

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Adianto que amei todos os contos. Cada um tem sua particularidade, porém todos tem a capacidade de prender e envolver o leitor. São intensos e arrebatadores. Alguns tristes demais, outros tão perturbadores que não consegui ler mais durante a noite. 

Vou comentar sobre alguns deles para aguçar a curiosidade de vocês.

“Milha 81” é o de abertura. Já ouviram falar de "Christine"? O carro assassino? Se sim, vocês irão conhecer um outro carro tão macabro quanto. 
"O carro não era um carro. Era algum tipo de monstro."
Neste enredo, conhecemos Pete, um garotinho de apenas dez anos de idade. Ele está todo contrariado, pois seu irmão adolescente George, não o deixara participar de uma brincadeira considerada perigosa; daquelas que só os “fodões” podem brincar.

Sendo assim, o garotinho passa a pensar em algo para provar a seu irmão, bem como aos amigos dele, que é capaz de encarar o perigo, e assim vai até uma área abandonada da chamada Milha 81.

Este local era propício para usuários de drogas, namorados... O lugar perfeito para Pete provar que era fodão. Mas ele não imaginava o que poderia encontrar.

Uma perua enlamaçada está naquele local. Um carro parado num lugar desativado chama a atenção de bons samaritanos. E então, outros personagens surgem. 

Vocês nem imaginam o que essa perua é capaz de fazer.
"Parece um carro, mas não é. Come gente."
Uma área abandonada. Um carro assassino. Uma criança entorpecida. Que desfecho teria essa história?
"(...) não acreditava em carros monstro desde que vira o filme Christine quando era criança, mas acreditava que às vezes monstros se escondiam dentro de carros."
Como não delirar com a citação do carro mais incrível da literatura? Fala sério gente, logo no primeiro conto já fiquei empolgada.

“Premium Harmony” não tem elementos sobrenaturais. Temos um casal comum, que vive junto há dez anos. É um conto triste, que fará com que o leitor se choque com a realidade.

“Batman e Robin tem uma discussão” também é muito triste. Não temos terror. Assim como “Premium Harmony” o que é trabalhado aqui não é medo, mas sim a realidade.

“A Duna” foi um conto curto, que me deixou oca. O personagem principal é um juiz aposentado que tem um vício intrigante: o de visitar uma duna localizada numa ilha próxima de sua residência. O que teria de tão especial ali?
"Eu respeito a ilha, tenho medo de lá e, mais que tudo, sou viciado nela."
“Garotinho Malvado” fará com que você repense na tal pureza das crianças. 
"A Bíblia diz que o diabo foi libertado para vagar pela terra, e que a mão de Deus não o segurava. Não sei se aquele garotinho malvado era o diabo, mas sei que era um diabo."
“A morte” me fez lembrar de “A Espera de um milagre”. Foi só uma lembrança de leve, vale esclarecer. Aqui a nossa capacidade de julgamento é posta em jogo. 

“UR” foi um dos meus favoritos. O protagonista é um leitor fanático, assim como nós. Wesley, é seu nome. Tradicional, taxado muitas vezes de convencional ao excesso, decidira comprar a moda do momento: um Kindle. Mas o seu viera diferente. Ao invés da cor branca padrão, era rosa. Estranho? Sim. E tem mais: o Kindle de Wesley tinha uma função diferente dos demais, a chamada UR.
"Livros são objetos reais. Livros são amigos."
Pelo jeito, tal função dispunha de uma realidade alternativa, onde haviam obras inéditas de grandes autores famosos, como Poe. Imagina só descobrir que seu autor predileto havia escrito outras obras? Um vício para qualquer leitor. Mas acontece que essa realidade UR, de certa forma, poderia revelar alguns acontecimentos do futuro. 

Você não precisa ser leitor de terror para saber que esse lance de espiar o futuro pode não dar muito certo...

É um conto daqueles que todo leitor irá amar. E um detalhe: tem menção à "Torre Negra". Quem ainda não leu (eu!!) ficará ainda mais louco para conhecer.

Em “Indisposta”, logo na introdução, Stephen nos avisa que estaremos um passo a frente do narrador. É verdade, mas mesmo assim não deixa de ser um conto delicioso de ser lido. Triste e macabro. 
"Sabe como é quando você está morrendo de medo? Claro que sabe. O medo é universal. Seu coração parece parar, sua boca fica seca, sua pele fica fria e um arrepio se espalha por todo o corpo."
Mesmo se tratando de contos, em cada um somos remetidos aqueles sentimentos comuns dos livros de Stephen: surpresa, medo, apego. Até mesmo aquela calmaria comum em seus enredos, encontramos aqui. Não há pressa no desenvolvimento. Os contos são muito bem elaborados. Sabem aqueles livros que trazem uma coletânea de contos de fadas? Que todo dia você lê um em poucas horas e é acometido por várias sensações? Assim é esse, porém não temos contos de fadas, apenas sonhos ruins...

Eu poderia falar por horas sobre cada conto. Pois como já disse, amei todos. Me acostumei a ler todos os dias, por isso não queria que o livro acabasse. Senti uma dor no coração quando fui finalizando a leitura, um desespero em saber que não teria mais “sonhos ruins” para ler antes de dormir. 

É meu único alerta. Você poderá ficar viciado em sonhos ruins. 
"É um conto de Stephen King, afinal."
Leitura mega recomendada, para os fãs de Stephen principalmente. 

Já falei sobre a edição no início, porém ressalto que está linda. A capa é perfeita, o título e o nome do autor são dispostos em alto-relevo. A diagramação, sempre impecável. A melhor parte das publicações da editora para os livros do Stephen, é o cuidado disposto na edição. O livro é longo, temos 527 páginas no total, mas a leitura flui muito bem e a diagramação contribui muito para isto.

É um livro daqueles deliciosos e viciantes. Agora minhas noites serão frias e solitárias até a chegada de A Zona Morta.

Mais um que entrou para a lista de favoritos da vida.


5 comentários

  1. Bia!
    Como você sou uma fã do King e ele tem diversificado muito seus escritos, o que só favorece a nós leitores.
    Gosto demais de contos e se tem terror e suspense, até um certo mistério, e, são escritos pelo mestre, não tem como dar errado, né?
    Preciso ler.
    Desejo uma ótima semana!
    “Conhecer os outros é sabedoria. Conhecer-se a si próprio é sabedoria superior.” (Lao-Tsé)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  2. Eu também sou um fã iniciante do king e o que mais me atrai nele é como ele desenvolve mais os personagens do que tudo, e eu amo isso. A Coisa, por exemplo, é uma história de amigos e de como a amizade dura (ou não) sobre o peso do tempo. Uma metáfora de amizades de infância que infelizmente se perdem. Carrie fala de bullying, de como a pressão nessa época da escola é maligna. E tem mais. Este livro me deixou com vontade pelo simples fato de ser contos, e eu amo coisas rápidas <3 Infelizmente os preços dos livros do king é insano, então vou acabar optando pelo livro digital, mas ainda vale muito a pena. O Milha 81 eu quase comprei o ebook, tá 4 reais, mas vou esperar e comprar o bazar mesmo. <3 Fico muito feliz que tenha entrado pros teus favoritos. A Coisa do autor também é um dos meus, apesar de eu ter um pé atrás com certo acontecimento do livro. Beijos.

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  3. Não sou fan desse autor, mas tenho muita vontade de ler sua obras, e quando vi esse livro em especial de contos, que relatam sonhos ruins imaginei que essa seria uma boa oportunidade de começar a me infiltrar em sua escrita, e ver com meus próprios olhos se suas estórias são tão boas quanto vocês fans dizem ser. Confesso que estou com altas expectativas em relação a essa leitura.

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  4. Oi, parece mentira, mas eu ainda não li nenhum dos livros dele, até esses dias eu estava fazendo uma lista de livros dele que me interessaram para eu comprar, esse entra para a lista.
    Achei esse capa meio estranha, mas não desgostei

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  5. Oi, Bia!!
    Também sou muito fã de Stephen King e adoro os seus livros!! E fiquei bem entusiasmada para esse livro de contos dele!! A capa ficou linda demais!!
    Beijoss

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