( Resenha ) A Desconhecida de Mary Kubica @PlanetaLivrosBR

Editora Planeta
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Resenha

"Sua imagem, de novo, fez uma mudança diante de meus olhos: a jovem impotente, com uma queda por chocolate, uma adolescente criminosa que conseguiu entrar furtivamente em minha casa."
A desconhecida é um suspense daqueles de te deixar com a pulga atrás da orelha, para desvendar todos os mistérios que a história traz, a cada capítulo lido.

Com a narração em primeira pessoa dividida entre três personagens. Temos a visão de Heidi e Chris contando fatos que estão acontecendo na presente narração, já os capítulos narrados pela Willow são dela em um momento "futuro" em relação a narração de Heidi e Chris.

Heidi é uma mulher que trabalha em uma organização que auxilia pessoas pobres na cidade. A maioria deles imigrantes. Além de realizar um serviço comunitário, também faz a separação dos lixos da casa para reciclagem, utiliza sacolas reutilizáveis para evitar a utilização das sacolas plásticas, bem como os vidros de leite, para não utilizar embalagens descartáveis. Um exemplo de pessoa consciente.

"É mais comum eu não estar lá do que estar, tem sido assim desde que começamos a namorar. Heidi está acostumada com minha ausência. Como dizem: a ausência faz crescer a saudade. De qualquer forma, é isso que ela responde, quando pergunto se sente minha falta. Acho que, em segredo, ela gosta de ter a cama inteira só para si."
Chris é um investidor, vive viajando e em reuniões para que cada vez mais consiga multiplicar o dinheiro da empresa. Da união com Heidi surgiu Zoe, a filha de doze anos. A jovem está na época em que acredita que deve discordar dos pais sempre e por conta das alterações de humor, é como uma bomba relógio, prestes a explodir a qualquer momento.


A história começa com a narração de Heidi. No caminho para seu serviço ela fica preocupada quando vê uma jovem com um bebê no colo na estação. Neste dia chovia, nem a mãe e nem a criança pareciam estar agasalhadas contra a chuva.

"Ninguém merece um destino desses, ficar sem um centavo e sem moradia, mas, com certeza, nenhum bebê merece isso. Penso no preço exorbitante das fórmulas para alimentação infantil e das fraldas, sabendo que, se aquela garota estivesse comprando fraldas para suas próprias necessidades."
Por mais que tentasse focar em outra coisa, seu pensamento sempre acabava voltando na jovem da estação e a preocupação com a situação dela. Estava passando fome? A neném sente frio? Onde passam a noite?

No dia seguinte a chuva piora e, quando Heidi encontra com a jovem, a bebê está chorando desesperadamente. O instinto materno de Heidi não a deixa seguir em frente, sem fazer nada para ajudar.
 Após algumas investidas de Heidi, a mulher finalmente consegue descobrir que o nome da mãe é Willow e a bebê se chama Ruby. Não só isso, em um ímpeto acaba levando as duas para sua casa.
"Como é que alguém como ela acaba nas ruas? Vivendo sozinha, sem ter quem cuide dela, sem um guardião. Claro que fazer essa pergunta parece totalmente inapropriado, uma maneira eficaz de fazê-la correr de mim. Eu observo enquanto ela aprecia o chantili, e então se entusiasma, inclinando-se, colherada após colherada, até terminar, até derramar pelo canto da boca, enquanto a bebê a observa com olhos famintos, não mais encantada pela água gelada, mas por essa substância branca borbulhante que goteja da boca da mãe."
Logo de início Chris acha muita loucura de sua esposa trazer uma desconhecida para dentro do seu lar. Uma menina estranha com um bebê, para sentar na mesa com sua filha de doze anos. É ele quem vai tentar descobrir quem é Willow e porque está nas ruas.

Heidi fica completamente cega e acha maravilhoso ter outras pessoas para cuidar. Seu espírito materno estava bastante isolado, tendo em vista que Zoe tenta ao máximo deixá-la distante do seu dia-a-dia, e Chris não fica tanto tempo em casa para compartilhar o dia com a esposa.
"Era sempre quente lá, um tipo diferente de calor, um calor que você sente de dentro para fora, não de fora para dentro. Há muito tempo eu não me sentia assim, desde Mami, na verdade. Heidi foi a pessoa mais parecida com Mami que conheci nestes oito anos. Ela era gentil."
A narração de Willow é feita em um testemunho que está fazendo. Alguma coisa não acabou bem na casa de Heidi e Chris ou seria no passado da própria jovem? A cada capítulo vemos as peças se encaixarem e informações surpreendentes surgindo. O que aconteceu? Quem é o "vilão" desta história?

O livro vai tratar sobre pessoas de rua, de uma maneira bem direta. Além disso outros assuntos importantes são abordados: abuso infantil, sistema de adoção, traumas psicológicos, a importância de acompanhamento médico em casos de trauma, entre outros.

Posso dizer que vários capítulos deixaram meu coração apertado por pensar que os fatos ali narrados  acontecem com diversas crianças pelo mundo, deixando a situação mais pesada a cada página. 
"E, além disso, Joseph disse que ninguém acreditaria em mim. Ninguém. Era a palavra dele contra a minha. E eu era uma criança. Uma criança que ninguém queria - ninguém -, só ele e Miriam."
"Descubro que mais de mil crianças morrem por ano, em nosso país, vítimas de abuso ou negligência por parte de seus cuidadores. Mais de três milhões de abusos infantis são comunicados a cada ano por professores, autoridades locais, amigos da família, vizinhos ou por onipresentes telefonemas anônimos que o serviço de proteção à criança recebe. O abuso infantil pode resultar em danos físicos: hematomas e fraturas, suturas, danos à medula, ao cérebro, pescoço, queimaduras de segundo e terceiro graus. Com relação ao estado emocional, o abuso também é prejudicial, levando à depressão até as vítimas mais jovens, isolamento, comportamento antissocial, desordens alimentares, tentativas de suicídio, atividade sexuais ilícitas."
Assim como o livro A Garota Perfeita (resenha Aqui), a autora também nos surpreende no final, daquela maneira que você até para a leitura, para dar uma respirada e olhar ao redor. A história é bem amarrada e os personagens são bem desenvolvidos.

A diagramação está muito boa e o esquema de divisão de capítulos com narração de pessoas diferentes é sensacional. Novamente consegue cumprir o papel de dar ao leitor uma visão mais completa do quadro.

Um suspense de prender o ar e mais um livro da Mary que tem meu voto para ser transformado em filme. Uma história com diversos aprendizados para serem extraídos.
"O mais engraçado das alucinações é que a pessoa pode agir de forma relativamente normal quando está sob efeito delas. Suas alucinações não o levam inteiramente para fora do reino do possível."

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