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( Resenha ) Fera de Brie Spangler @editoraseguinte

09 julho Larissa 0 Comments

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Resenha
"O mundo nunca vai me ver como o cara inteligente, o cara que saboreia equações como pedaços de pão mergulhados em sopa quente. Todos, exceto minha mãe, acham que as fileiras de dez nos meus boletins são erros trimestrais. Por que estou me matando por notas quando poderia estar dando empurrões em outros brutamontes, trazendo glória para a cidade?"
Fera tem como personagem principal Dylan. Um jovem de 15 anos que tem quase dois metros de altura, pelos por todos os lados e o corpo bem desenvolvido. Se você olhasse para o jovem, na certa lhe daria vários anos a mais.

Este fato incomoda bastante, pois Dylan não consegue se enturmar. Quando passa pela rua sempre encontra alguém olhando assustado para ele e quando entra em uma loja, sempre sente os olhares em todos os seus movimentos.
"Já é ruim o bastante ter um metro e noventa e três e pelos suficientes no corpo para isolar termicamente uma cidade pequena. E não é só isso, eu também tenho que comprar roupas na seção de minotauros. Uniformes de tamanho padrão não me servem. Antes do ano letivo começar, minha mãe teve que costurar o símbolo idiota da escola em jaquetas marrons e camisas polo brancas do tamanho de pequenos pianos. Pareço um ogro saído de debaixo da ponte Fremont para passear e, no meio do caminho, resolveu que estudar numa escola católica a preços razoáveis era uma boa ideia."
Na escola, Dylan, anda sempre com o JP, o garoto mais popular e rico da escola. Os dois são amigos desde bem crianças, uma amizade que conta com algumas "ajudinhas" de Dylan para intimidar quem JP pedisse.

O jovem além dos problemas com o próprio corpo e aceitação social, ainda sente saudade do pai. Apesar de seu pai ter falecido há 11 anos, Dylan ainda deixa o pai sempre presente em sua vida e suas decisões. Conversa frequentemente com os céus e busca entender como a mãe recebe tantas dicas do pai e ele nunca recebeu nenhum sinal de retorno.

Seu pai também era muito alto, morreu jovem por causa de um câncer. Então o crescimento rápido do garoto também acende a luz de alerta, para descobrir se em sua genética tem algo que precise de tratamento.
"Só meu pai conhece meu sonho mais secreto. Estar morto o torna mágico porque ele virou oficialmente parte da história, por menor que seja. Mas, se eu contasse para uma pessoa viva que meu maior desejo é, de alguma forma, misturar História da Idade Média com a cura do câncer, ela diria:"Ah, legal, toma aqui uma bola de futebol.""
Um dia, Dylan sobe no telhado para pegar uma bola de futebol, e um momento de descuido cai e quebra a perna. Resultado: cirurgia e gesso. Por conta do estilo do acidente, o médico recomenda terapia em grupo para que ele possa desabafar caso tenha problemas sociais que tivesse ocasionado a autodestruição. 

Após insistência de sua mãe, o garoto aceita participar de uma sessão de terapia em grupo. Sempre ressaltando durante a sessão que não entendia o porquê da sua mãe acreditar que ele precisa de terapia. Nenhum problema social foi revelado.
"- Terapia - Jamie se abaixa perto de mim. - Vou a tantas terapias, às vezes nem sei onde minha cabeça está - ela diz. - Terapia familiar, terapia individual, terapia de grupo, não termina nunca."
Nesta sessão ele encontra Jamie. A garota chama sua atenção e por destino ele acaba fazendo o exercício em dupla, justo com ela. Na saída da terapia, algumas atitudes da jovem chamam atenção dele, assim resolve segui-la no ônibus e passar a tarde conversando.

Com o passar do tempo e do contato, Dylan está completamente apaixonado por Jamie. Mas quando ela o encontra na escola, acaba revelando uma verdade que pensava que Dylan já soubesse. Jamie é transgênera, ela nasceu no sexo masculino mas se identifica com o gênero feminino. 
"Céus, tudo isso está acontecendo bem na frente da escola. Todo mundo me conhece aqui. Todos os professores que precisam me dar nota dez e boletins perfeitos, eles trabalham aqui. Eles não podem ver isso. Ninguém pode saber. E se o comitê da bolsa Rhodes descobrir ? Eles nunca aceitariam um imbecil completo como eu."
Então vamos ver as várias dúvidas que o jovem tem sobre os próprios sentimentos, assim como os preconceitos que a sociedade tem com todos que são diferentes e como os transgêneros ainda não são bem conhecidos pelas pessoas.

O legal que podemos ver, não somente, as reações de Dylan como também da mãe dele, dos colegas de escola e da própria Jamie e mãe dela.
"Não é o meu tamanho que me assusta. É o que carrego dentro de mim. Meu Hulk secreto está sempre logo abaixo da superfície, me provocando. Mas conheço os truques para mantê-lo adormecido."
Um livro interessante que mostra o quão importante são os nossos relacionamentos: família, amigos e amor. Sempre precisamos de pessoas que consigam nos apoiar, nos levantar em momentos difíceis e lançar uma luz quando estamos em grande dúvida.



A autora consegue mostrar bem o amadurecimento de Dylan do começo até o final do livro. Bem como passar os sentimentos que Jamie tem em relação aos desafios que passa diariamente. Até mesmo JP apresentou algumas evoluções, mesmo assim ainda sinto antipatia com relação a esse personagem (achei ele extremamente inconveniente, mimado e manipulador). A única evolução que achei "rápida" demais e ficou um pouco forçada, foi a da mãe do Dylan, mas isso não diminui a importância desse livro, para quebrar preconceitos.

A capa está linda e o título (apelido que Dylan sempre ouviu, mas odeia) também combinou bastante. A diagramação está excelente, bem como as divisões de capítulos, ambos deixam a leitura tranquila, deixando o leitor confortável para ler vários capítulos, sem cansar.

Foi o primeiro livro com personagem transgênero que eu li e comecei com chave de ouro. Já fiz a minha listinha com outros do gênero para ler.
"-Só queria que você soubesse que não está sozinho. - Ela encosta o nariz no meu ombro. - Caso se sinta grande demais, saiba que é só porque às vezes o mundo é meio pequeno."

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