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( Resenha ) O Livro do Juízo Final @Suma_BR Livro 1 da Série Oxford Time Travel de Connie Willis

31 agosto Bianca Gonçalves 0 Comments

Suma
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Resenha

Antes mesmo de iniciar minha jornada pelo enredo do livro, já estava cheia de expectativas. Afinal, “O Livro do Juízo Final” é vencedor dos prêmios Hugo, Nebula e Locus. Tais premiações, caso vocês não saibam (e vou fazer um resumão para chegarmos logo à resenha), são concedidas aos melhores autores/obras dos gêneros de fantasia e ficção científica.

Assim sendo, já sabia que teria uma obra incrível nas mãos. E tive. 

Connie Willies criou uma história completamente original, recheada de contexto histórico. 

Tal originalidade começa pelo tempo em que o enredo se passa: ela explora o passado medieval, dos anos 1300, e o futuro enigmático dos anos 2050. 

No futuro criado por ela, gripes são praticamente inexistentes, a ciência evoluiu muito. A tal ponto de permitir viagens no tempo. Historiadores exploram o passado indo pessoalmente até ele, através de uma rede complexa, que é operada por uma equipe de profissionais altamente capacitados. Essa rede é completamente confiável e seletiva. Ela não deixa passar nada que possa interferir na história.
(...) Nada que possa afetar o curso da História pode passar pela rede... Radiações, toxinas, micróbios, nada disso passa através de uma rede. Em qualquer um desses casos, a rede simplesmente não abre.
E pra quê viajar no tempo? Para compreender melhor os costumes do passado, para coletar informações valiosas sobre doenças, e assim, contribuir ainda mais para o futuro.

Viajar no tempo não é algo tão simples. Envolve muito aprendizado, pois o historiador que fará esse “salto” (termo utilizado para viagem), precisa estar preparado para se adequar, sem causar estranheza ao passado que irá explorar.

Kivrin é uma jovem historiadora. Aluna exemplar, a preferida do Sr. Dunworthy. Sempre sonhou em conhecer a idade medieval, e por isso não hesitou quando se ofereceu para participar do salto organizado e liderado por Gilchrist.

Dunworthy achou tudo isso uma grande loucura, pois a época medieval era um passado muito distante, um salto que poderia trazer muitos riscos à historiadora. Mesmo com todo o preparo (mudança de aparência, linguagem, vacinas contra doenças da época – tudo para se adequar à realidade do passado); não considerava um período seguro. Vejam bem, apesar de toda beleza desse período, os costumes eram completamente diferentes da atualidade. Estupros eram mais comuns, havia degoladores por toda parte, doenças das mais diversas, e não podemos nos esquecer da Peste Negra, que acabou com vilarejos e cidades inteiras matando a todos os moradores.
"Era um século que tentava curar as pessoas com sanguessugas e estricnina, um tempo em que ninguém ouvira falar de esterilização, ou germes, ou células-T."
Kivrin seria lançada para o ano de 1320, num vilarejo. Antes da Peste, que só acometeu tal região em 1348. Ela iria saltar numa estrada, a principal de Oxford para Bath, e para que se adentrasse em tal vilarejo, diria que havia sido atacada por ladrões.

História convincente, mas mesmo assim não podemos nos esquecer que nessa época, qualquer mulher poderia ser apontada como bruxa e queimada na fogueira.

Além de todos esses riscos que o período medieval trazia, ainda tinha o fato que o salto não foi minuciosamente planejado. Gilchrist não realizou testes, tinha pressa em fazer com que tudo ocorresse rapidamente.
(...) O sujeito não tem noção de como a rede funciona, não tem noção de que existem paradoxos, não tem noção de que Kivrin está ali e de que o que acontece com ela é real e irrevogável.
E mesmo assim, Kivrin saltou. Seria uma estadia de duas semanas mais ou menos.

Na atualidade do enredo, Badri, técnico responsável em monitorar a localização de Kivrin e trazê-la de volta, adoece gravemente, não conseguindo passar informações precisas sobre o sucesso da viagem. 

Na era medieval, Kivrin também adoece, não se lembrando do local do salto, fato importantíssimo para o seu retorno.

Fiquei completamente preocupada com essa problemática. Como fariam para resgatar Kivrin? Badri dizia a todo momento que algo havia dado errado, mas o que seria? A doença de ambos teria alguma relação?

Além do mais, se Kivrin estava doente quando realizou o salto, poderia contaminar os contemps (termo utilizado para denominar as pessoas do período), e o “viajante” não poderia de forma alguma influenciar o passado. Se isso realmente ocorreu, seria terrível para o passado e o futuro.

Poderia ter ocorrido alguma falha no sistema?
"O som era amedrontador, mas o silêncio é pior. É como o fim do mundo."


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Encantada! É assim que me sinto em relação a esse enredo. 

A autora criou uma história tão convincente, que me senti confortável com tudo que ela propôs, inclusive com os termos criados. Era como se todo o futuro de 2054 fosse a minha realidade. A conexão do leitor é muito rápida, os personagens são bem construídos, e nos apegamos a todos eles.

No futuro, a imaginação incrível para criar situações tão convincentes e tão instigantes para o leitor apaixonado por ficção científica. No passado, o estudo minucioso do contexto histórico misturado à fantasia foi tão incrivelmente elaborada, para dar asas a imaginação.

Foi uma leitura gostosa, daquelas que há tempos não fazia.

Falando de uma forma bem pessoal, o livro além de me fazer viajar e me proporcionar prazer; ainda me trouxe muito conhecimento do ponto de vista histórico. Demorei para concluir a leitura porque senti essa curiosidade em buscar mais detalhes da realidade contida ali.

E de uma maneira geral, é um enredo que agrada os que buscam fantasia e ficção científica de qualidade. Não é a toa que recebeu tantas premiações. 

Narrado em terceira pessoa, tem uma edição maravilhosa, com capa dura, páginas amarelas e fonte confortável para leitura. A edição faz jus ao conteúdo.

Entrou para o grupo de favoritos da vida. Há tempos não lia uma fantasia que trouxesse tanta empolgação. Aguardo ansiosa pelo próximo livro da série. 

                                                               

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