( Resenha ) Portões de Fogo de Steven Pressfield @editoracontexto

Editora Contexto
Selo Marco Polo

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Resenha

Eu tenho muita facilidade em falar sobre os livros que leio; mas sempre fico com receio ao publicar uma resenha, pois é uma responsabilidade tremenda passar algo de uma maneira mais formal, digamos assim, para outros leitores.

E quanto mais eu gosto de um livro, maior é esse receio.

Falar sobre Portões de Fogo me deixa receosa. É difícil contar sobre uma obra tão rica que tanto me agradou. Vou tentar! 

Nela, o autor nos traz um romance épico sobre os 300 de Esparta.


Ao contrário do que imaginei, a narrativa do livro se inicia no pós-guerra. Com a vitória dos persas, comandados pelo Rei Xerxes, os espartanos haviam sido derrotados. Porém, mesmo com a derrota, eram considerados gloriosos, já que lutaram em número bem menor e mesmo sabendo que seria uma missão suicida, resistiram até a morte.

O Rei Xerxes comandou um verdadeiro exército composto por dois milhões de homens, de acordo Heródoto, com o objetivo de invadir e escravizar a Grécia.

Numa ação de coragem, 300 espartanos foram enviados para Termópilas, a fim de sacrificarem a própria vida para deter, pelo menos por alguns dias, o exército de Xerxes.

Ao final da batalha; um dos guerrilheiros, Xeones, havia sobrevivido. Muito machucado e debilitado, Xerxes ordenou que seu corpo médico cuidasse do mesmo. Sua intenção era conhecer um pouco mais sobre seus adversários

Não pense que Xeones fez a vontade de Xerxes. Ele quis sim contar sua história bem como a dos guerreiros espartanos com o único intuito de não deixá-la cair no esquecimento. 

Num primeiro momento, o que mais nos chama atenção para o personagem Xeones, é sua lealdade para com os guerreiros. Ele seria capaz de sacrificar sua vida para protegê-los; e o fato de ter contribuído com o Rei Xerxes, foi um ato de amor.
Eu estava muito ligado aos meus irmãos guerreiros que haviam caído comigo. Um vínculo cem vezes mais forte do que aquele que  experimentara em vida me unia a eles. Senti um alívio inexprimível e percebi que tinha temido, mais do que a morte, a separação deles.
Assim sendo, ele começa contando desde sua infância até a guerra com os persas.

Minha conexão com o personagem foi imediata; quando começou a narrativa da sua triste infância, dos fatos sofridos que o acometeram, do amor que nutria por sua prima, Diomache... impossível ficar imune. Acredito que todo leitor, até mesmo os menos sensíveis, se emocionarão.

Sabemos desde o início que os 300 de Esparta se sacrificaram com o objetivo de preservar a liberdade de sua tão amada cidade. Mas e suas famílias? Como eram esses guerrilheiros no dia a dia? E não podemos deixar de nos perguntar, como foram treinados, já que mesmo em menor número, abalaram o imenso exército de Xerxes? 

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Que homens eram estes espartanos, que, em três dias, haviam matado, diante dos olhos de Sua Majestade, não menos que 20 mil de seus guerreiros mais valentes?
Essa curiosidade tão característica do leitor é a mesma do Rei, e por isso, a cada linha narrada por Xeones, entendemos os seus motivos para tanto empenho em registrar seus relatos.

Sua narrativa é muito interessante. Mesmo não indo direto ao ponto, que no caso é os 300 de Esparta, ficamos impassíveis com sua história pessoal.

Quando Xeones finalmente chega, ainda na infância, à Esparta, ele acaba nos deixando mais próximos dos guerrilheiros espartanos. A partir daí, temos uma prévia da preparação dos mesmos para a guerra. O treinamento se inicia na infância, alguns meninos chegavam a morrer durante ele. Tão desumano, tão cruel, mas mesmo assim conseguimos enxergar a necessidade para tal.
Aos 10 anos, os meninos são homens em Esparta.
A guerra por conquista de territórios era muito comum na época. As cidades precisavam estar prontas para combate. E é fato que os Espartanos eram os mais bem treinados, até então. 

Seu relato nos fornece ainda uma noção dos prejuízos das guerras. O número de famílias destruídas, a quantidade de crianças mortas... por isso era tão necessário que o treinamento fosse tão cruel. Os meninos precisavam se tornar homens dignos, valentes, corajosos, dispostos a matar e morrer para salvar seu povo.
O homem é fraco, ganancioso, libidinoso, presa para todas as espécies de vício e depravação. Mente, rouba, trapaceia, assassina, funde as estátuas dos deuses e cunha o ouro como dinheiro para prostitutas (...) A guerra, não a paz, produz a virtude. A guerra, não a paz, purga o vício. A guerra, e a preparação para a guerra, suscita tudo que é nobre e digno em um homem.
Em meio a narrativa sobre guerras e guerrilheiros; as crendices tão mágicas da Grécia se fazem presentes. Os rituais de sacrifício aos deuses, as preces, os costumes, tudo isso deixa a leitura ainda mais envolvente.

Por meio do olhar de Xeones, podemos conhecer um outro lado dos guerrilheiros espartanos: o lado humano.

E claro que, dentro dessa mesma perspectiva, também conhecemos ainda mais Xerxes. Enquanto o rei espartano lutava junto a seu povo, considerando seus guerrilheiros como irmãos; e claro, sempre disposto a defendê-los; Xerxes considerava seu povo como propriedade, escravos. Ele nunca entrava em combate, sempre observava de longe.

Este é meu escudo. Em combate, eu o levo à minha frente, mas ele não é só meu. Protege o meu irmão à minha esquerda. Protege minha cidade. Nunca deixarei meu irmão fora de sua proteção nem minha cidade sem o seu resguardo. Morrerei com o meu escudo em minha frente enfrentando o inimigo.

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Eu sabia que seria uma aventura épica, mas não estava preparada para me envolver tanto com os personagens. 

Narrado em primeira pessoa, o livro me provocou emoções muito distintas do início ao fim. Mesmo já sabendo de toda a trajetória da guerra, acabei sendo surpreendida pela ficção introduzida pelo autor. 

Um dos pontos mais altos foi o poder das mulheres. Ainda que se passe numa época onde a força feminina era praticamente inexistente, o autor introduziu personagens femininas fortes e inspiradoras. Aliás, Xeones só foi um dos 300 de Esparta por uma influência feminina.
As próprias palavras para coragem, andreia e aphobia, são do gênero feminino, enquanto phobos e tromos, terror, são do gênero masculino. Talvez o deus que buscamos não seja um deus, e sim uma deusa.
É um livro empolgante, rico em conteúdo. A ficção mesclada à história obteve um resultado maravilhoso. 

E a edição, impecável. Daqueles livros para se guardar para sempre.

Foi uma leitura forte e emocionante. Mais um para a lista de favoritos.


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