4 Estrelas,

( Resenha ) Sempre Vivemos no Castelo de Shirley Jackson @Suma_BR

29 dezembro Taty Assis 0 Comments

Editora Suma

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Resenha

Narrado em primeira pessoa por Marricat, em Sempre Vivemos no Castelo conheceremos os Blackwoods.

Os Blackwoods nunca foram populares com as pessoas do vilarejo, na verdade, eles eram temidos, odiados.

Certa noite a família é envenenada durante o jantar, e  acaba restando apenas Mary, Constance, sua irmã, seu tio Julian e seu gato preto. Se antes eles já eram excluídos e ignorados, com as mortes tudo ficou pior, já que Constance havia sido acusada de assassinar sua própria família.


"O pessoal do vilarejo sempre nos odiou."
Com medo da reação das pessoas com sua aparição, Constance e Mary acabam entrando em uma rotina, onde era Mary que sempre ia ao vilarejo fazer as compras e Constance cuidava da comida, da casa e do tio.

Essa rotina estava perfeita para as duas, principalmente para Mary, que amava a vida que elas levavam. Mas Mary sente que seu mundinho perfeito está prestes a ruir. Constance já pensa na possibilidade de frequentar o vilarejo, o que até então estava fora de cogitação, e tudo piora quando um primo aparece.

Mary está ficando desestruturada.  Seus tesouros escondidos na propriedade já não são mais só seus. Seu primo está abalando tudo o que  tentou construir e manter, e ela fará o possível para se proteger e proteger Constance, que parece não ver mal nenhum em ter um primo, que até então nunca tinham visto, como hospede. 

E assim acompanhamos presente  e passado das irmãs Blackwood, e aos poucos vamos descobrindo o quão sombria pode ser uma família. 

"Marricat, disse Connie, você não quer uma xícara de chá? Ah não, disse Marricat, você vai me envenenar. Marricat, disse Connie, você não quer dormir? Lá no cemitério, com a terra a te engolir?"

Foi bem interessante acompanhar tudo pelos os olhos de Mary. Ela, mesmo com dezoito anos, é bem imatura. Tem pensamentos fantasiosos, mas é bem astuta em suas ideias e ideais. 

Os personagens são bem construídos e é claro que somos movidos pela curiosidade em saber o que realmente aconteceu naquela noite, quem de fato é o assassino e o que o levou a cometer tal ato. 

Gostei da história, gostei da narrativa, só fiquei meio indecisa com o final... ainda não sei se gostei ou não. Mas curti bastante a ideia da autora de ter criado um "mundo" sombrio em um ambiente familiar. Sem contar que a ela nos faz refletir sobre o quanto a sociedade pode ser cruel.


"[...] queria que tivessem mortos e eu andasse sobre seus corpos."

Recomendo a leitura, foi um dos melhores livros do gênero que li esse ano. Sem contar que a edição está impecável. A Editora Suma fez um trabalho excelente. Com certeza uma ótima obra para se ter na estante. 


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