5 Estrelas,

( Resenha ) A Garota Alemã de Armando Lucas Correa @grupopensamento

16 março Bianca Gonçalves 0 Comments

Editora Jangada

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Resenha

Já disse em vários blogs que escrevo, o quanto aprecio livros que mesclam ficção e contexto histórico. Mais uma vez, o Clã me presenteou com uma dessas obras.

A Garota Alemã traz um enredo triste, amargo e ao mesmo tempo, tocante e profundo. 



Com uma narrativa em primeira pessoa, intercalando duas personagens que viveram em épocas distintas, a obra é uma daquelas que com certeza ganhará notoriedade em bibliotecas e livrarias devido ao seu valor histórico e a ficção tão bem desenvolvida pelo autor.

Anna é uma menina de 12 anos de idade que precisou amadurecer muito rápido. Sem pai e com uma mãe depressiva, desde já se conformava em ser autossuficiente. Nunca havia conhecido seu pai, mas o mantinha presente em sua vida através de uma única foto. 

Hannah também é uma menina de 12 anos de idade. Mas ela não vivia no ano de 2014, como Anna. Sua história se passa em 1939, na Alemanha. Filha de judeus, a perfeita garota alemã vira sua vida mudar de uma hora para outra. Antes, sua família era conhecida e respeitada por onde passava. Hoje, sua família sentia na pele o preconceito imposto por um governo insano, que os considerava impuros.

"Aqueles que eram nossos amigos deixaram de ser. Aqueles que costumavam agradecer a Papa ou que tentavam fazer amizade com Mama e suas amigas, que elogiavam seu bom gosto ao se vestir ou pediam conselhos sobre combinar uma bolsa de cores vivas com seus sapatos elegantes agora torcem o nariz para nós e estão prestes a nos denunciar."

A realidade de Hannah é perturbadora. Ela, sua família e seus amigos não viviam mais em sociedade. Eram condenados, vistos como sujos e criminosos. Os judeus eram constantemente violentados, assim sendo, eles viviam tomados pelo medo.

Hannah também precisou amadurecer. Sua mãe não conseguia aceitar a condição em que se encontravam. Deixava-se levar pela tristeza. Seu pai estava diferente, apreensivo, tentando a todo custo encontrar uma forma de salvar a vida de sua família.


E uma saída surge em forma de um incrível transatlântico: o St. Louis, que levaria os judeus para Cuba. Seria um recomeço? A família de Hannah e de seus amigos ficariam seguras?

Em 2014, a realidade de Anna também não está fácil. Ela queria saber mais sobre o pai, descobrir sua história. Até que uma carta chega às suas mãos. A vida de Anna e Hannah se interligam de uma forma linda. E ambas tornam a esperança uma da outra.

Eu me lembrei de quando li O Diário de Anne Frank. Na época, não tinha ideia do que o livro trazia. Eu não sabia que seria impossível um final feliz. Ao ler A Garota Alemã, tinha total consciência do que tinha em mãos. Quando você conhece a história e se depara com as esperanças dos personagens, tudo fica muito intenso, pois o próprio leitor sabe que o desfecho não será como eles almejam.

"Vamos começar do zero e transformar Cuba num país ideal, onde qualquer um possa ser loiro ou moreno, alto ou baixo, gordo ou magro. Onde você possa comprar jornal, usar o telefone, falar a língua que quiser e se chamar do nome que quiser, sem ser incomodado por causa da sua pele ou do deus em que acredita."

Ambas as personagens são sofredoras, porém, mesmo tão novas, se adaptam de uma maneira madura à realidade em que vivem. 

É um livro triste, que me deixou com o peito carregado. Eu precisava parar para absorver tudo, parar para tentar recuperar meu próprio sentimento, porque mesmo que seja personagens fictícios, me remetiam à realidade dos que viveram isso.

Confesso que a narrativa de Hannah foi a que mais me envolveu. Através dela, somos transportados para uma Alemanha dominada pelo nazismo. Relembrarmos de uma parte horrível da história, e por meio dela nos compadecemos por tantos milhares de pessoas que viveram o horror do holocausto.

"Eu não tenho medo da morte. Que chegue a hora final, que tudo se apague e eu fique no escuro. Eu não tenho medo de me ver entre as nuvens, contemplando os que aqui ainda caminham em liberdade pela cidade. Morrer é como se a luz se apagasse, e com ela, todas as ilusões."

A de Anna não fica para trás. Sua história também traz um contexto real, de uma tragédia muito recente que abalou o mundo todo. 

A mescla de ficção e realidade é sensacional. O autor resgatou uma passagem pouco citada da história, que na verdade nunca deveria deixar de ser lembrada.

E por mais que conheçamos o desfecho histórico, ficamos instigados em saber como será o desfecho de Hannah e Anna. Hannah sobreviveu ao St. Louis, mas em quais condições? E Anna, conseguiria superar as dificuldades da sua vida?

"O que eu mais detesto na ideia da morte é não poder dizer adeus, ir embora sem uma despedida. Só de pensar nisso eu estremeço."

A edição traz páginas amareladas, grossas, com fonte apropriada para leitura. A arte da capa casa perfeitamente com o enredo, e ao final, o autor nos presenteia com fotos reais dos passageiros do St. Louis.

"Será que algum dia estaremos preparados para perdoar?"

Amei a leitura, ao final fiquei ainda mais cheia de conhecimento. Recomendo, e acredito que o valor histórico que o livro nos traz deve ser conhecido por todos.

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