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( Resenha ) O Tempo Desconjuntado de Philip K. Dick @Suma_BR

12 agosto Bianca Gonçalves 0 Comments

Editora Suma

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Resenha

Philip K. Dick é um nome muito conhecido no que diz respeito às ficções que envolvem teorias de conspiração cósmica. Ele é autor do conto que inspirou o filme clássico dos anos 90, O Vingador do Futuro.

"O Tempo Desconjuntado" chegou pela Suma com uma edição de luxo, em capa dura. Também pudera, a obra foi publicada pela primeira vez em terras tupiniquins.

Publicado originalmente em 1959, o livro traz discussões que se encaixam perfeitamente nos tempos atuais. Com reflexões plausíveis, a trama envolve tanto, que até o leitor duvidará do que é real.

Ragle Gumm mora com sua irmã, cunhado e sobrinho em um bairro pacato. Não tem um trabalho admirável por assim dizer. Sua rotina se estabelece em preencher a coluna de um jornal, que consiste em encontrar o "homenzinho verde". Um jogo, onde as pessoas faturam uma grana se conseguirem encontrá-lo.

Mas essa procura não é fácil. O participante deverá acertar em qual lacuna o homenzinho aparecerá. Sorte? Para Ragle não. Ele leva muito a sério o jogo, inclusive realiza um apanhado de pesquisas e estatísticas. Claro que sua intuição também contava muito.

O fato era que Ragle nem precisava se dar ao trabalho de conseguir um emprego fixo. Sua participação como jogador garantia um dinheiro bom, e ele sempre acertava. Assim sendo, era um tanto famoso.

Ragle vivia em um bairro pacato, na época incrível dos anos 50, mas algo parecia não se encaixar. Pequenos acontecimentos corriqueiros começaram a fazer com que Ragle acreditasse que havia algo errado com o tempo. Primeiro o fato de encontrar uma revista com uma atriz que ele nunca ouvira falar. A revista expunha que ela era famosíssima, Marilyn Monroe.

Depois, uma lista telefônica com números que não existiam. Quando consegue fazer com que um rádio funcione, o que ouve o deixa mais intrigado. Parecia que ele era o centro do universo. Objetos desapareciam sem mais nem menos, todas as pessoas o conheciam.

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Em busca de respostas, decide abandonar a cidade, e a trama fica ainda mais sinistra quando ele percebe que não será tão fácil assim.

Seria delírio? Uma teoria maluca de conspiração? Ou o tempo estaria desconjuntado?

"(...) Eu sei que você tem suas desconfianças, mas elas apenas refletem as projeções da sua mente deturpada. Freud demonstrou que as pessoas neuróticas fazem isso o tempo todo."
Uma obra maravilhosa, rica em todos os aspectos imagináveis. Fiquei estarrecida com tamanha inteligencia e criatividade por parte do autor.

Narrado em terceira pessoa, Philip nos traz um enredo complexo, envolvente e completamente fascinante. A leitura flui de forma natural, e assim como Ragle, entramos na jornada em busca de respostas. Loucura ou não, o fato é que a ficção científica proposta pelo autor é original; deliciosa de ser lida.

Estava carente de grandes obras do gênero, e foi uma forma maravilhosa de redescobrir o quanto o gênero me cativa.

Ficaram claros os motivos que fizeram de Philip K Dick o grande mestre da ficção científica: desenvoltura, criatividade e envolvimento.

É um clássico indispensável! Finalizo minha resenha apaixonada, querendo mais obras do autor (Suma, por favor, mais edições lindas para ele ♥) e recomendando a leitura.

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