4 Estrelas,

( Resenha ) A Mentira de Helen Dunmore @EditoraNacional

12 dezembro C Romano 3 Comments

Companhia Editora Nacional


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Resenha


A mentira é um romance de Helen Dunmore capaz de nos envolver e emocionar a todo momento.

O jovem soldado Daniel Branwell relata a sua história ao retornar à casa após a Primeira Guerra Mundial. Seu retorno não é fácil, principalmente quando recebe a notícia de que a sua mãe faleceu enquanto estava na guerra.

Quando voltei, o jazigo parecia mais estreito do que eu me lembrava...queria saber o que minha mãe dissera e de que maneira estava antes de morrer, mas ninguém me contou. O médico disse que morrera em paz. Não acreditei nisso.

Daniel não se sente à vontade ao lado de muitas pessoas e mantém-se distante do povoado. Seu único contato é com Mary Pascoe considerada uma bruxa pelas crianças. Mas ele sempre soube que não era verdade.

Minha mãe constumava visitá-la levando um buquê de rosas amarelas do nosso jardim, flores não muito maiores que botões, mas que possuíam aroma doce. Elas conversavam à porta, nunca dentro da casa. Eu tinha ciúmes dessas conversas.

Mary Pascoe está doente e precisa de cuidados. Daniel preenche seus dias com as tarefas na terra de Mary Pascoe. São estas tarefas que o ajudam a afastar os fantasmas da guerra.

Até que um dia alguém aparece a sua porta: Felicia, a irmã mais nova do seu melhor amigo Frederick Dennis.

Ela estava com dezenove anos agora. Ninguém confundiria aquela mulher com uma criança. Não era a Felicia que provocávamos e de quem corríamos e depois ajudávamos a levantar quando caía pelos caminhos.

O reencontro faz com que os dois revivam as boas lembranças da infância. Felícia está viúva e tem uma bebê. Talvez sejam estas as companhias que poderão consolar e transformar a vida de Daniel.

A saudade! Felicia é a imagem viva de Frederick. Como seus traços físicos o lembram... Daniel sente sua falta...

A amizade entre os dois começou quando a mãe de Daniel passou a trabalhar na casa dos Dennis e deste dia em diante, os meninos não se separaram mais. Filho de um engenheiro de Minas, Frederick recebeu as oportunidades de estudo, negadas a Daniel, que aos 11 anos deixou a escola para trabalhar. Mesmo sendo o trabalho contrário a sua vontade, Daniel não sentiu inveja de Frederick. Sentia por ele uma grande adoração.

A diferença social nunca foi um problema, pois eles eram companheiros e mesmo que outros pudessem se aproximar, o vínculo entre eles era muito mais forte. 

Sempre que possível, Frederick emprestava livros da biblioteca do pai para Daniel. Frederick não conseguia acompanhar. Sua satisfação era ouvir Daniel recitar os poemas.

Eu recitava os versos em voz alta para Frederick, quando estávamos sentados com as costas apoiadas no muro do porto. Eram as férias de verão dele. Eu trabalhava nas manhãs de sábado até uma hora, mas folgava à tarde.
Frederick e eu erámos irmãos de sangue. Fizemos nosso juramento com palavras de O livro da selva e um canivete. Somos de um só sangue, você e eu. Ninguém mais sabia disso. Frederick me chamava de IS, que era nossa senha.

A amizade sincera manteve-se pelos anos seguintes e findou-se nas trincheiras de uma guerra que se fez no sofrimento dos inexperientes jovens soldados.

Prestávamos atenção quando parecia que nos ensinavam algo que poderia nos matar se não o fizéssemos. A maior parte era o de sempre: treinamento e conversa mole, horas disso, mas ninguém desmaiou nem morreu de insolação, como nos disseram. Não era uma vida ruim.
Frederick foi designado para a companhia A, para liderar nosso pelotão, depois que o Sr. Tremough foi morto. Ele me fez voltar a ser o que eu era, embora não soubesse o que estava fazendo.

A guerra não era previsível. Planejamentos executados nem sempre eram garantia de sucesso. Os chucrutes poderiam avançar e alcançar a posição em que estavam.

Dois dias de treinamento. Isso devia significar que era maior o risco de termos a cabeça arrancada. Então pensei: por que não? A morte estava me esperando em algum lugar... Mas, acima de tudo, sabia que, se Frederick fosse naquele assalto noturno eu também iria. A ideia de participar daquele grupo de ataque retorceu minhas tripas, mas eu me acostumara a isso.

Para Daniel a guerra terminaria ali com a morte de Frederick. Daniel mentiu sobre os detalhes da sua morte por não conseguir aceitar a verdade. Como explicar o que não se entende?

Agora o futuro de Daniel dependerá da sua capacidade de conseguir vencer a dor de uma vida devastada por tantas perdas.

O livro A mentira é um romance forte, tenso e ao mesmo tempo poético. A mentira transforma e se torna a vida de um jovem. Uma vida sem expectativas.

Aquele tempo desapareceu como fumaça. Mas Frederick era real, mesmo na melancolia fantasmagórica daquele jardim. Sempre era mais real que qualquer um. Lá estava ele rabiscando no cascalho com um graveto, riscando linhas e as apagando como se fossem contas que não dava certo. Nem certeza, nem paz, nem ajuda para a dor...

São histórias como essas que nos fazem pensar sobre a nossa realidade.
Recomendo que leiam e emocionem-se. Não irão se arrepender.


3 comentários:

  1. Oi, Cléo! Como vai?

    Bacana este livro, hein?
    Não conhecia, mas sua resenha me fez despertar o interesse.

    Beijos!
    Participe do Natal Literário no Irmãos Livreiros

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  2. Li o livro, confesso que esperava mais.... achei a narrativa muito confusa, pois ele vai e volta no tempo a todo instante, a isso se soma o fato de que eu fiquei sem entender direito qual a relação entre Daniel e Frederick, pois na página 189 ao que parece há um beijo entre os dois "amigos", em fim, gostei do livro, porém não leria se alguém que o leu me indicasse.

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  3. não entedi o final daniel morre ou não ?

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