4 Estrelas,

( Resenha ) Aprendendo a Confiar - Livro 1 da Série Rendição de Mariel Grey @EditoraBezz

05 fevereiro ATITUDE LITERÁRIA / Biia Rozante 1 Comments

Editora Bezz
Leque Rosa

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Resenha

Quando uma coisa ruim chega, ela nunca vem sozinha, sempre acontecem várias outras juntas, não é verdade? E essa avalanche está passando por Lucy, deixando estragos e destroços.

Lucy é uma jovem de opinião forte, inteligente e bela, que ao contrário das damas de sua idade não demonstra interesse em se casar, enxerga isso como a perda de sua identidade e liberdade. Não quer ser a propriedade de ninguém, quer continuar sendo dona de suas vontades e poder seguir a vida como escolheu. Ama cavalgar, na verdade ama tudo relacionado aos animais e até tenta se manter inteirada sobre os negócios da família - que cria puros-sangues -, mas sem jamais se envolver a ponto de conhecer cada detalhe.

Mas engana-se quem pensa que sua vida é fácil, na verdade ela tem lidado com muitos momentos de dificuldade. Primeiro a morte do pai, depois o acidente do irmão, credores fazendo cobranças, acordos de negócios em andamento, a reputação da família em jogo, ela ser uma mulher na época e por essa razão não ter voz. É angustiante, e como se não bastasse tudo isso, ainda precisa lidar com um Marquês lindo e curioso demais para o seu gosto.

O Marquês de Chalifour é conhecido por ser um homem sensato que luta contra trapaças e fraude no mundo das corridas a cavalo. Ele não aceita mentiras, enganações e odeia manipulações. É dono de uma generosidade gigante, um coração bondoso e planos para um futuro onde criará uma espécie pura de cavalos e para isso tem buscado um parceiro de reputação imaculada e negócios limpos. Ele só não esperava que no meio do caminho teria que lidar com uma jovem de beleza delicada, determinada e teimosa feito uma mula.

“Agora ele havia descoberto suas mentiras. Embora ele tivesse lhe dado a oportunidade de confiar nele, era evidente que ela não confiava o suficiente. Ele teve a impressão de que ela quase se rendeu durante a viagem na carruagem, mas tinha freado as suas emoções e levantado a guarda novamente. Devia haver uma maneira de ganhar a sua confiança. Ele não poderia ajudá-la se não entendesse o que a ameaçava.”

APRENDENDO A CONFIAR, fala exatamente sobre confiança. Sobre ser capaz de abrir mão do controle, aceitar ajuda e se permitir ser auxiliada em momentos de aflição. Sobre relações familiares, incertezas, amizade verdadeira e as dificuldades de ser uma mulher em meio a uma sociedade machista e opressora. Sobre o medo de perder, de amar e se entregar.





Lucy é o tipo de protagonista que conquista por sua determinação e força de vontade. A mulher está à beira do precipício e não recua. Cheia de boas intenções e preocupações está sempre precisando lidar com situações difíceis e que infelizmente muito lhe fogem do controle. Quando seu irmão acaba acamado após um acidente não sobra nenhuma opção a não ser, se tornar a pessoa ativa da família, tomar as rédeas dos negócios, buscar soluções imediatas, sem revelar o real estado de saúde do seu irmão a fim de preservar a reputação dos negócios e não perder dinheiro. O problema é que ela é MULHER, em uma época onde elas não tinham voz, não podiam ser donas de si mesma, negociar, ser inteligentes, então não resta saída, a quem recorrer e sem perceber se pega presa em um emaranhado de mentiras. Portanto, quando Chalifour chega em sua armadura brilhante, todo cheio das boas intenções, tentando desvendar os segredos que ela esconde e o que de fato está acontecendo, sua primeira reação é fugir, ser arisca e se manter o mais longe possível. Fechar negocio com ele não estava em seus planos, mas a necessidade a obriga mentir e aceitar, mesmo não sabendo no que está se metendo.

“(...) Ou ele poderia reconhecer o fato de que a vida às vezes é composto por situações injustas que pedem decisões tingidas de cinza. Essas decisões podem ser erradas em circunstâncias normas, mas talvez não necessariamente em circunstâncias extraordinárias.”

Amei dois pontos em especial no enredo. Primeiro o fato da autora ter focado na protagonista, atribuindo a ela uma aventura, Lucy de fato precisou crescer e amadurecer muito, ainda que muitas de suas atitudes tenham me irritado, sua teimosia é ferrenha, seu medo é maior ainda, mas a partir do momento que você entende a época em que ela vive, fica mais fácil compreender sua impulsividade e negligencia. Já o segundo ponto que mais gostei foi ser apresentada a um protagonista correto, Chalifour foge do estereótipo dos nobres que sempre lemos em romances de época. Ele não é arrogante, não é mulherengo, um solteiro convicto e irremediável. Ele tem o próprio negócio, é trabalhador, luta contra as trapaças e corrupção das corridas a cavalo, trata a irmã com um carinho gigante e mesmo quando se revela duro e firme, ainda existe muita bondade em suas ações.

“Com os braços cruzados sobre o peito largo, Chalifour estava inclinado casualmente contra o aparador da lareira, os olhos sobre ela de forma constante. Ela tinha certeza que o seu coração parou, porque em um momento passou antes que ela pudesse respirar novamente.”

Eu gostei bastante da leitura, a narrativa da autora é envolvente o que torna APRENDENDO A CONFIAR, uma leitura rápida e bem agradável. Eu recomendo o livro para todos que gostam de romances leves, que surgem naturalmente com a convivência, admiração e o respeito entre o casal. Já estou ansiosa querendo conhecer a próxima história desta série e confesso que já tenho uma personagem que estou torcendo muito para que seja a próxima protagonista.


Olá, pessoas! Eu sou a Biia Rozante, do blog Atitude Literária e de agora em diante você encontrará algumas resenhas feitas por mim aqui no CLÃ DOS LIVROS. Estou muito feliz com a oportunidade de poder ser parte desta equipe linda e espero de coração que vocês aí do outro lado da telinha gostem do que tenho para compartilhar.




Beijos, até a próxima!

Um comentário:

  1. É tão difícil isso, não é?
    Hoje em dia as pessoas estão cada vez menos confiando nas outras. E, pior ainda, as pessoas estão cada vez mais dando motivos para desconfianças.
    Ler uma obra dessa seria enxergar as coisas com outros olhos.
    É necessário confiarmos mais, ainda que tenhamos sofrido anteriormente com outros.

    Beijos,
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br/

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