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( Resenha ) Interferências de Connie Willis @Suma_BR

24 abril Bianca Gonçalves 0 Comments

Editora Suma

Resenha

Na atualidade, amor e tecnologia tem alguma relação? Quanto a tecnologia interfere (positiva ou negativamente) nos relacionamentos?

"Durante toda a nossa história evolutiva tentamos impedir que algumas informações fossem divulgadas: camuflagem, aquela tinta que as lulas esguicham, senhas criptografadas, segredos corporativos, mentiras. Principalmente mentiras. Se as pessoas realmente quisessem se comunicar, diriam a verdade, mas não é o que fazem."
Na ficção de Connie Willis encontramos um cenário tecnológico mais avançado que o atual. Nele, casais poderão comprovar a grandeza do afeto amoroso que sentem um pelo outro através de um procedimento cirúrgico, denominado EED. 

É a nova sensação do momento! Inclusive, várias celebridades já fizeram.

Imaginem só, poder saber com precisão o que o seu parceiro sente por você!

Algumas pessoas abominavam esse procedimento, e outras o enxergavam como uma forma de apertar ainda mais os laços afetivos.

Para Briddey e Trent seria exatamente uma forma de se conectarem ainda mais um com o outro. Apaixonados, optaram por fazer o procedimento antes de se casarem. E a ideia partiu de Trent, que queria que Briddey tivesse certeza do seu amor.

" (...) as pessoas acham coisas que não são verdade o tempo todo. Hitler provavelmente achava que era um cara muito legal..."
Enfrentando as negativas por parte da família de Briddey, o casal marca o procedimento às escondidas. E quando Briddey acorda, após o efeito da anestesia, se vê desesperada pelo fato de ter ocorrido uma "interferência": ao invés de se conectar com seu noivo, ela se conecta com CB Schwartz, o nerd solitário do laboratório da empresa em que trabalha.


E para piorar ainda mais a situação, eles conseguem se comunicar por telepatia!

Como resolver esse problema?

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Com uma narrativa leve e cheia de humor, Connie nos presenteia com um enredo gostoso e muito atual. 

A obra, mesmo leve, traz reflexões marcantes sobre relacionamentos como um todo (amistosos, familiares e amorosos).

" - Se a tia Briddey fizer o EED - disse Maeve, ignorando a mãe -, ela vai descobrir como ele é por dentro. Como no filme Frozen, que tem um príncipe que a Anna acha que é muito legal e que está apaixonado por ela, mas não é verdade, ele só quer o reino dela. E ele tenta matar a Anna.
   - E essa é outra razão para eu não querer que você assista aos filmes da Disney - disse Mary Clare. - São violentos demais."
Eu aprecio o estilo da escrita de Connie pelo fato de ser moderno. Ela introduz o leitor em meio ao enredo de forma súbita, como se aquele mundo sempre existisse. E esse é um dos pontos mais altos da leitura.

Quando menos percebemos, já estamos conectados (e isso sem precisar do procedimento EED) com os personagens e com o ambiente do enredo.

O humor se faz muito presente, desde as primeiras linhas. Destaque para a família de Briddey, o núcleo mais engraçado do enredo.

CB é encantador. Aliás, todos os personagens são. Connie tem aquele tipo de talento marcante em criar personagens cativantes, e mesmo com os nomes tão difíceis de serem memorizados, se tornam inesquecíveis por suas personalidades.

O romance e a ficção científica, apesar de muito presentes, são discretos; predominando fervorosamente o humor, em minha opinião.

Eu estava com aquele necessidade em ler algo leve e bem humorado, assim sendo o livro caiu como uma luva. Só não entrou para a lista de favoritos pelo fato de que a autora se perdeu em um determinado momento, deixando a história muito arrastada, levando-a para um caminho pouco convincente.

Com exceção desse feito, é um ótimo livro para se divertir! 

A edição é uma lindeza: capa com aspecto aveludado, fonte confortável para leitura. E a narrativa é em terceira pessoa.

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